quarta-feira, 17 de abril de 2013

O que sucede às virtudes?





"Quanto à virtude, não basta conhecê-la, devemos tentar
também possuí-la  colocá-la em prática" Aristóteles.


Cada um de nós é responsável pela própria história. Histórias compostas por muitas lutas, vitórias, fracassos, erros, acertos, dores, prazeres, dissabores, afetos e desafetos... aprendizados necessários. A experiência vivida é parte do que somos hoje. Ser o que somos ou ser o que queremos, não é uma tarefa fácil. Independente de qualquer coisa, cada um tem o seu valor. Ninguém é menos ou mais. Ninguém nasce bom ou mau. Ninguém nasce virtuoso. Ninguém é mau involuntariamente. É cultivando virtudes que adquirimos a disposição de aprender a fazer o bem, a ser justo e se portar e agir com humanidade. Nós somos aquilo que habitualmente fazemos, portanto, podemos ser o que queremos ser. Ninguém é perfeito, mas somos aprimoráveis. Estamos todos em construção. E, nesse processo, é fundamental cultivar os valores que contribuam para que, dia a dia, sejamos melhores. Melhores na alegria, melhores no amor, melhores com e para os outros. E, melhores na tristeza, na dor e no sofrimento. Como podemos melhorar a nossa capacidade de lidar com os contrários da vida, com o que nos faz sofrer? Difícil? Sem dúvida, é. Mas encontramos exemplos e mais exemplos de que podemos ser melhores também no que traz desconforto. Conheci uma pessoa que passou por um doloroso tratamento de câncer com um, inacreditável, sorriso no rosto. Enquanto todos esperavam pela morte, ela lutava pela vida. Enfrentou a doença com uma força incrível. Ela foi melhor na dor e no sofrimento. Acreditou, teve fé, esperança e venceu algumas vezes. Perdeu a última batalha, mas enfrentou a dor com muita força. A força que nos sustenta e que nos faz acreditar e seguir em frente vem do hábito de alimentar o coração com o que é bom. Cultivar bons hábitos deve ser uma prática constante. Isso é o que precede e prepara o caminho - O caminho do crescimento, do aprimoramento. É impossível ter força e agir com benevolência, sem, pressupostamente, a coragem, a serenidade, a tolerância, a temperança e o respeito por si mesmo e pelos outros. É com esse espírito que poderemos suportar, com dignidade, as contingências da vida, e a nos comprometer a fazer bem feito o que deve ser feito. 

Continuo dizendo: É preciso cultivar virtudes. O mundo está carente de amor, de ética, de paz, de tolerância, de humanidade, de compreensão, de oportunidades, de respeito, de menos julgamentos... Muitas "guerras" poderiam ser evitadas se as pessoas fossem mais tolerantes e soubessem conviver com as diferenças. Muito sofrimento seria evitado se houvesse menos injustiça e desonestidade. Muitos corações não estariam aos pedaços se houvesse mais amor, confiança, diálogo, verdade, atenção, dedicação e gentileza. Muitas pessoas sofreriam menos preconceitos se houvesse mais respeito e senso de igualdade. Muitas crianças não estariam perdendo a infância, com as drogas e o crime, se fossem mais cuidadas. O país seria muito melhor se não houvesse tantas falhas na democracia e tivéssemos mais Políticos "cuidadores de gente". Haveria muito mais igualdade se tivéssemos uma Educação de qualidade e ela fosse um direito completamente cumprido. Não é possível falar sobre as virtudes sem lembrar do mundo - o "mundo" que pulsa, que chora, que grita, que carece e pede. São muitos "se houvesse", "se tivéssemos", no entanto, há muita esperança de ainda podermos conjugar esses verbos no presente... Enquanto os valores essenciais não são, individualmente, cultivados, o "mundo" estará sempre aquém do esperado.

Os valores que todos nós apreciamos, busquemos sem cessar. Não podemos exigir que o outro seja o que queremos, mas podemos ser o que queremos que o outro seja - E ser exemplo. Não podemos permitir que o nosso modo de agir seja determinado por alguém ou por fatores, negativamente, externos, mas podemos agir sob a influência daquilo que cultivamos e que nos conduzirá a uma satisfação plena. Isso é ser feliz. Assim, diante do ódio e amargura, sejamos amorosos; diante do que tenta fazer de nós o que não somos, deixemos o tempo trabalhar a nosso favor, sejamos pacientes e capazes de perdoar; diante das contendas e do desequilíbrio, sejamos mansos e pacíficos; diante do que não sabe o valor de "doar-se", sejamos generosos; diante da maldade, sejamos tolerantes e benevolentes; diante da mentira, sejamos verdadeiros; diante da indiferença, sejamos atenciosos e sensíveis; diante da ignorância, sejamos gentis; diante do racismo e preconceito, tenhamos sempre em mente que, aos olhos de Deus, somos todos iguais, apesar de diferentes; diante da falta de civilidade, busquemos resgatar as virtudes, por muitos, esquecidas. Não é fácil, mas é preciso praticar, porque é isso que sucede às virtudes: Um ser humano muito melhor... e, como resultado, um mundo melhor também.  

terça-feira, 12 de março de 2013

Atravessando o deserto.

 
Disse Jesus: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará
em trevas, mas terá a luz da vida" João 8:12


Estamos na 4ª semana da quaresma. Estamos atravessando o deserto. Para muitos, a quaresma, é apenas os dias que antecedem a festa onde o chocolate é a atração principal. Para outros, é o período que antecede a entrega de Jesus por nós e a sua Ressurreição - A Páscoa Cristã. A quaresma representa os 40 dias que Jesus passou no deserto. Uma história da qual podemos tirar lições preciosas.

Após ser batizado, por João, no Rio Jordão, Jesus foi levado, ao deserto, pelo Espírito Santo. Um tempo de preparação. Um tempo de provações. Um tempo que não foi fácil. Jesus sofreu muitas tentações. O diabo, maliciosamente, testando as limitações humanas de Jesus, o desafiou a transformar pedras em pães. A intenção era fazer Jesus sucumbir após muitos dias de jejum. "Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães". Jesus, lembrando que foi conduzido, por Deus, ao deserto, sem qualquer alimento, confiou: "Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mateus 4:4). O inimigo, não satisfeito,  insistiu. Levando Jesus ao lugar mais alto do templo, disse: "Se és filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos, ordenará, a teu respeito, que te guardem; e, eles, te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares com teus pés em pedra".  Tentou contra a confiança e espiritualidade de Jesus. A verdadeira confiança, não experimenta, não testa. E mais uma vez, respondeu Jesus: "Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus" (Mateus 4:7). Assim, Jesus seguiu, sem vacilar. Em mais uma tentativa frustrada, o diabo ofereceu, a Jesus, todos os reinos do mundo, poder, glória e riquezas se em troca, prostrado, o adorasse. Um reinado sem "cruz". Um reinado sem "milagres". Um reinado sem "graças". Mas, fortalecido pelo Espírito Santo, Jesus reagiu: "Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás" (Mateus 4:10). Somos, constantemente, convidados a fazer o que desagrada a Deus. Tudo começa com pequenos descuidos, pequenos erros... Algumas vezes nem percebemos, porque estamos ocupados demais e, muitas vezes, estamos olhando o que o coração não vê. Hoje, vivemos em um mundo de interesses onde há: muitas pessoas usando pessoas; muita vaidade e soberba travestidas de humildade, bondade e simplicidade; muita hipocrisia fantasiada de franqueza e sinceridade; muita covardia disfarçada de coragem; muitas mentiras sendo contadas como verdades, muito ódio para pouco amor... É, estamos atravessando um grande deserto. Mas, tudo tem uma razão de ser. E, o mais importante é que esse deserto, finda.

Assim como Jesus, também necessitamos de recolhimento. É tempo de oração, reflexão, conversão, caridade e proximidade com Deus. Aliás, todo tempo é tempo. Não adianta sair do deserto e não manter o propósito. E, isso, tem um preço. Somos tentados quando decidimos atravessar o deserto com Jesus; quando decidimos nos aproximar mais de Deus; quando nos recolhemos para limpar o coração de tudo aquilo que não é fruto Dele; quando buscamos o crescimento espiritual... Cada um com o seu deserto, cada um com as suas fraquezas... fraquezas que precisam ser vencidas, superadas.

Antes de ser preso, Jesus disse aos discípulos: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo!". Jesus venceu a morte, venceu o mundo! E você, vencerá? Que mundo você precisa vencer? Este, é o tempo certo para enfrentar o mundo de medos, de dificuldades, de erros, de conflitos, de orgulho... e, tantos outros, mundos de obstáculos. É tempo de mergulhar profundamente para resgatar o que foi perdido, para resgatar a força e a luz. É preciso confiar. Só assim, fortalecidos e iluminados, poderemos chegar ao final do deserto; só assim, estaremos preparados para receber o Cristo Ressuscitado; só assim, poderemos carregar, não nos ombros, mas no coração, a cruz.

Não podemos perder a esperança. Devemos caminhar com fé e lutar sempre para que o mundo seja melhor, para que sejamos melhores. Deus nos ama de tal maneira que enviou o seu Filho para que o mundo fosse salvo. Portanto, cuidemos desse Amor, cuidemos uns dos outros. Nós somos o mundo!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Momento de fraqueza...

“Cada coisa a seu tempo... Não florescem no inverno os arvoredos, 
nem pela primavera, têm branco frio, os campos.” Fernando Pessoa 


Olho para o relógio do pulso, do criado-mudo, da parede, das ruas... Eles dizem tudo, exceto as horas. Às vezes, me sinto assim. Não sei o que fazer. Não sei o que pensar. Não sei se é cedo ou tarde... se o tempo parou ou as coisas pararam no tempo; se permaneço ou me desfaço; se fiz ou deixei de fazer; se falei demais ou de menos; se entreguei todo o meu ouro, quando deveria guardar; se cantei na hora errada, cantei a música errada ou não deveria cantar; se...

De repente, tudo parece perdido. Paraliso. Nessas horas, que os relógios teimam em não dizer... e ninguém diz, há uma mensagem oculta que, ás vezes,  eu não consigo entender. Outras vezes, entendo, mas não aceito. Quero o concreto, a verdade, o doce escondido. Desses momentos, resta a generosidade da alma absorta, serena... A paciência também é uma companhia. E, por trás dela, descubro um sentimento extraordinário... bonito por não ser fruto de nenhum plano. Desejoso de ser mais, de ser "nós." 

Diante da dúvida, vem a antiga, mas sempre nova credencial que, em instantes, me  leva ao futuro, mostrando um tempo que virá. Um tempo, onde não haverá espaços para "se", "talvez", "ou", "quem sabe". Me fala de coisas que, certamente, a razão não falaria. Esta credencial que chamo de intuição, quase nunca falha e eu quase sempre acredito. Quase sempre. 

Sobre o tempo, nada sei... mas o que era efêmero se desfez. Ficou o que é eterno.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Escravos contemporâneos.

"O único tirano que aceito neste mundo é a voz interior, suave 
e serena." Mahatma Gandhi

Faz algum tempo que estive em Açailândia, município maranhense, participando da "I Jornada de Debates para a Erradicação do Trabalho Escravo no Maranhão”, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado e participação da OIT - Organização Internacional do Trabalho, entre outros participantes. Nesse período, trabalhei nessa secretaria, em cargo de comissão.  Em virtude disso, tive a oportunidade de participar de muitos eventos como esse. A vontade de aprender, de ajudar e a curiosidade me levaram a muitos lugares. Na passagem do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, 28 de janeiro, lembrei-me de todo o aprendizado da Jornada... Lembrei-me de tudo que vivenciei e das histórias assustadoras que ouvi.

Acho estranho falar sobre trabalho escravo no século em que vivemos. A escravidão foi abolida, na época do império, com a Lei Áurea. Mas, lamentavelmente, a escravidão, ainda que não seja a mesma do passado, está entre nós de uma forma mais moderna, dissimulada e silenciosa.  As pessoas são submetidas a uma situação degradante e desumana. A pouca instrução e o analfabetismo contribuem para que eles sejam enganados. Seus documentos são retidos e as dívidas, injustamente, contraídas, os fazem perder a liberdade de ir e vir. Pagam até pelo que deveria ser uma obrigação do empregador. No fim, recebem nada ou quase nada. A verdade, é que essas pessoas pagam para trabalhar. O Maranhão é o 4º estado com maior número de empregadores escravistas. A zona rural é uma região muito traumatizada pelos conflitos e pela violência. Os trabalhadores são tratados como verdadeiros escravos.

As bases do trabalho escravo são os altos lucros gerados pela mão de obra "barata" e a impunidade. Sim, impunidade. Porque a maioria dos empregadores escravistas tem grande influência política e econômica. Sabemos muito bem como isso acontece. É um "molha a mão" aqui, um "molha a mão" ali. Sou totalmente a favor da PEC do trabalho escravo, que expropria terras onde esse tipo de trabalho acontece. A emenda foi aprovada em 2012, mas ainda tramita no Congresso. Acredito no esforço conjunto de todos que lutam para combater esse mal, mas o número de auditores fiscais do trabalho e servidores envolvidos é insuficiente. Quanto mais fiscalização, mais as necessidades serão atendidas. Nos últimos anos, milhares de  pessoas foram libertadas, entretanto, há uma grande dificuldade em punir os "poderosos".  Há, na internet, uma lista suja com 409 nomes de empregadores escravistas. Para eles, tolerância zero.

Sou inquieta com todas as questões que tentam diminuir a pessoa humana. O trabalho não deve degradar o ser humano, mas dignificá-lo. Segundo Gandhi, alguns dos pecados capitais responsáveis pelas injustiças sociais são: Riqueza sem trabalho; comércio sem moral; política sem idealismo; e ciência sem humanismo. É preciso reprimir essas práticas. Não há fórmulas mágicas ou um botão de upgrad para que tudo seja melhorado em um clique, no entanto, para aqueles que, como eu, acreditam, há muito trabalho pela frente. 

Sonho com dias melhores... E, sobretudo, luto por eles. Onde não há tentativas, não há acertos. Lute você também! "O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente" Mahatma Gandhi.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Trabalho não é brincadeira...


"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto 
houver crianças infelizes." Albert Einstein


Passei os últimos três dias na fazenda de um casal de amigos. Natureza, frutas frescas, comida saborosa, banho de rio, pescaria, cavalgada, cheiro de mato, amigos reunidos  e muita cantoria sob o céu estrelado. O acontecimento mais importante foi, ontem, quando decidi dar uma volta com o cavalo.  Passando por uma estrada de piçarra, avistei um menino seguindo na mesma direção.  Ele estava sozinho, carregava uma enxada e um saco. Fiquei incomodada por ver um menino tão pequeno andando sozinho. Apressei os passos do cavalo e cheguei mais perto. No saco, era possível ver uma garrafa (pet), uma vasilha, prato, colher e copo. Ele me olhou, de lado, meio desconfiado. Desci do cavalo e iniciei uma conversa. Seguimos caminhando. Em poucos minutos, percebi, através de sua expressão, uma vida nada fácil. Ele se chama Edson, tem 9 anos, o pai é agricultor, tem 3 irmãos mais velhos, a mãe cuida da casa, mas está doente. O problema maior é que ele não foi à escola em 2012, porque estava trabalhando, na roça, com seu pai. Uma criança de pouca infância. Um menino homem,  cheio de responsabilidades... e sonhos. Sim, falamos sobre sonhos. “Meu sonho é ter um cavalo branco e uma casa com parede de tijolo”. Não sei dizer se o meu passeio terminou nesse momento ou passou a ter sentido a partir dele. Sorte minha, ter passado por aquele lugar.

Pensando no Edson, fico imaginando... Quantos, como ele, existem por aí? Muitos. O trabalho infantil é um grave problema social.  É uma causa significativa do abandono escolar. Segundo pesquisas do IBGE, houve uma redução no número de crianças que trabalham. Mas, ainda há muitas crianças, Brasil afora, substituindo lápis, cadernos, livros, brincadeiras... por enxadas, trabalho urbano... São obrigadas pelos pais, pela pobreza, por terceiros... E, até mesmo, por uma questão cultural. Para muitas famílias, o trabalho agrega valores e pode ajudar no desenvolvimento da criança, do adolescente. Está tudo errado. Lembrando que, ás vezes, o trabalho é forçado e acompanhado de agressões. Isso não agrega nada, além  de traumas. Nesse caso, gera lucro para quem explora e pobreza para o explorado. Sendo, assim, caracterizado como trabalho escravo. Trabalho escravo, outro problema sério. Conheço bem essas duas realidades, porque sou uma eterna incomodada.

O Maranhão é o 4º colocado no ranking nacional da exploração do trabalho infantil. O maior índice é na zona rural. Acredito que, se o número de crianças trabalhando, ainda é muito alto e a redução acontece lentamente, o problema pode estar na execução do programa de erradicação. É preciso focar mais nas famílias. Entender. Convencer. Ajudar. Não queremos resultados "mais ou menos". Não queremos políticas públicas "boazinhas". Queremos mais resultados positivos. Queremos gente comprometida,  gente que faça acontecer, gente que tenha "peito" para alargar os horizontes e enfrentar os senhores do movimento: “Isso nunca mudará”. Não é fácil, mas é possível viver outra realidade. Eu acredito.

Precisamos preparar os adultos do futuro. O primeiro passo, é deixar que as crianças sejam o que devem ser: crianças.  O estatuto é lindo, e pode ser muito mais, se for cumprido.

Quanto ao Edson, tenho absoluta certeza, nos encontraremos outras vezes...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Natal dos outros meses...


"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota." Madre Teresa de Calcutá

  
Esses dias que antecederam o Natal, foram bastante agitados. Confraternizações e mais confraternizações; a preocupação com a arrumação da casa, os preparativos para a ceia,  as compras de Natal... roupas novas, presentes e mais presentes.  Os shoppings, as lojas, as ruas... cheios de gente indo e vindo. Euforia, alegria... infelizmente, apenas para alguns. Há o outro lado. Um lado que muitos conhecem somente através da mídia. Lamentam, mas mantêm distância.

Convivo com pessoas de todas as classes sociais. São amigos, conhecidos, clientes, familiares.  E, muitas, dessas pessoas, reúnem-se para fazer uma ação solidária no Natal. Entrega de cestas básicas, brinquedos, roupas, etc... para os mais necessitados (de tudo). É louvável, bonito... muito válido. Mas, 80% faz isso apenas nessa época. E os outros dias? São pessoas boas e com um grande potencial para fazer mais, no entanto, dizem que durante o ano, às vezes, a correria do trabalho, as dificuldades do dia-a-dia, o cansaço e a falta de tempo, impedem a participação efetiva e afetiva em qualquer trabalho voluntário. Ora, todos nós temos uma rotina e passamos por problemas e dificuldades. Tempo? Tudo é questão de prioridade. Nós temos tempo para tudo. É só querer. Dizem, ainda, que as políticas pública de combate à pobreza são insuficientes, ineficientes e que o governo precisa criar programas sociais mais consistentes. Em relação a isso, não penso diferente. Mas, não podemos cruzar os braços e esperar. É preciso preparar o amanhã. É preciso contribuir de alguma forma. Estamos muito dispersos. É preciso ter a consciência de que somos uma grande equipe e juntos somos capazes de grandes realizações. Há muitos, por aí, nas ruas, nas comunidades carentes... sem alimentos, sem oportunidades, sem afetos, sem esperanças. Eles passaram o ano inteiro com as mãos estendidas esperando por aqueles que dão as mãos apenas no Natal. 

Neste Natal, convido todos os amigos a uma reflexão sobre a verdadeira solidariedade... aquela feita dia-a-dia, aquela capaz de devolver a dignidade, aquela capaz de reacender a chama da esperança, aquela que faz o céu acontecer na terra, aquela que antecipa o nascimento do Menino Jesus... Aquela que faz o Natal acontecer em janeiro, fevereiro, março, abril... enfim, em todos os meses do ano.

Há muito a ser feito. E nunca é tarde para começar. Vale a pena.

Natal é partilha, é renovação, é renascimento, é libertação, é tempo de perdoar... Desejo a todos um Natal verdadeiramente feliz.

E que o Espírito Santo leve paz e saúde aos que estão nos leitos dos hospitais, àqueles que estão nos presídios precisando de um coração transformado, àqueles que estão há muito tempo gerando o Menino Jesus e não permitem que o nascimento aconteça...

Que Jesus possa nascer e permanecer!

Boas Festas!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

De qual árvore você precisa descer hoje?



Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto 
reinos por  ti, entrego nações em troca de ti” Isaías 43:4.

Nessa semana, tive a felicidade de almoçar com uma amiga que há muitos dias solicitava esse encontro. A mesma, passando por problemas, precisava conversar, precisava de atenção, precisava de um olhar. Pensando em tudo o que eu disse naquele momento, decidi dividir aqui, porque acredito que sempre há alguém precisando de um alento.

Conversamos muito. E, no meio da conversa, ela disse: “Tenho certeza que Deus não me enxerga. Se Ele, de fato, cuidasse de mim, eu não estaria tanto tempo na situação em que vivo. Deus não olha para mim”. Medos, decepções, dificuldades, julgamentos errados – provações. Quem nunca pensou assim ou passou por isso? Em algum momento da vida eu já pensei. Estamos sempre enfrentando algum tipo de dificuldade.

Não vou entrar em maiores detalhes, mas diante de tudo que foi falado, me lembrei de Zaqueu . Sabendo que Jesus passaria por Jericó, mesmo sendo publicano e rico, Zaqueu queria conhecer conhecê-lo. "E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e era este o chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convêm pousar em tua casa" (Lucas 19:1-5). Ao avistar a multidão, Zaqueu poderia ter desistido do seu intento, mas a vontade de ver e ouvir o que Jesus tinha a dizer era muito maior que o obstáculo que encontrara. Sabia que não poderia romper a multidão, já que sua estatura não ajudava. Mas, encontrou, em seu caminho, uma figueira. Enfrentou alguns espinhos e subiu. Tudo tem uma razão de ser. Enquanto aguardava, entre os galhos e sentindo não ser digno de um olhar, muitos homens e mulheres lutavam por um lugar privilegiado perto de Jesus. Um querendo ter mais direito do que o outro. Mas Jesus já havia enxergado o coração de Zaqueu e o convidou a descer da árvore, pois queria conhecer a sua casa. Zaqueu, com muita alegria, atendeu ao chamado. Todos ficaram surpresos e até ofendidos, por se tratar de um publicano, considerado o chefe dos ladrões.

O motivo de comentar sobre a passagem que fala de Zaqueu, é apenas para mostrar que não importa a multidão de dificuldades e os erros cometidos. O que conta verdadeiramente é a vontade de encontrar Jesus, de ser olhado, de ser tocado. Deus não olha o passado de ninguém... Ele enxerga o coração, as possibilidades, os talentos. “Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas” Isaías 43:18... “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro”. Isaías 43:25. Somos filhos preciosos, amados e, portanto, de igual importância para Ele. Não há ninguém que não seja alcançado por Sua misericórdia. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti” Isaías 43:4.

Quantas árvores subimos, todos os dias, na tentativa de chamar atenção de Jesus? De qual árvore você precisa descer hoje?  Jesus nos convida a descer da árvore da falta de fé, do medo, da preguiça, da acomodação... e, de tantas outras, que impedem o encontro com Ele. Deus não deu a seus filhos um espírito de covardia. E para abandonar o temor, encontrar a força, a coragem e o equilíbrio é preciso crer e aceitar Jesus como único Salvador. “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” Lucas 19:10. É preciso sair da zona de conforto e enfrentar...  Enfrentar, significa, atacar de frente.  E se não estivermos fortalecidos espiritualmente, ficamos paralisados e não conseguimos ver adiante. Colocamos o foco nos problemas e nos esquecemos de buscar o mais importante: a solução. Quando isso acontece, é hora de dobrar os joelhos, atender ao chamado e experimentar a entrega.

A solução está diante de nós. A fórmula é simples: Oração+fé+ação. Quer saber o resultado? Descubra!

Termino esse texto com um desejo: Senhor, que cada lágrima seja para regar a fé de quem as deixa cair. Seja assim com a amiga que me motivou a escrever essas palavras e com todos que precisam ser tocados por Ti.